Violência mútua? - Carlos Roberto Winckler

Carlos Roberto Winckler*

 

Em vídeo de campanha, largamente reproduzido nos últimos dias, Bolsonaro diz com todas as letras, que mandaria embora os médicos cubanos e que eles poderiam atender em Guantánamo os petistas que lá estiverem.

Essa segunda parte, que não tem sido comentada, encerra ameaça gravíssima. Em Guantánamo localiza-se uma  base americana que serve de prisão a acusados de terrorismo. Os detidos, muitas vezes, foram simplesmente vítimas de sequestros em diferentes países. Obama esboçou em algum momento mudar a política antiterror, mas acabou por recuar.

A ameaça, em tom de sinistro escárnio, não antecipa futuros acordos (secretos?) com os EUA , a pretexto de luta contraterrorismo, concretizando, em escala internacional, a criminalização de movimentos sociais e do próprio PT, em curso nos últimos anos? A indicação do novo chanceler que defende guerra santa contra a esquerda e o islamismo encontra ressonância nos EUA em amplos circuitos do governo Trump.

As afinidades eletivas são imensas na redefinição das relações internacionais sob a ótica do nascente fascismo colonial bolsonarista, que combina grotescamente aspectos militaristas, moralismo neopentecostal, catolicismo medieval cruzadista, irracionalismos e neoliberalismo radical.

Assim, cumprida a promessa de expulsão dos médicos cubanos, resta-nos,  prestar atenção redobrada à outra parte do vídeo.

 

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* Carlos Roberto Winckler é sociólogo
professor de Sociologia 
pesquisador  aposentado da FEE