Publicado por Kiko Nogueira – Diário do Centro do Mundo

Favela e milíciaMilícias: F. Bolsonaro e o ex-assessor Queiroz entendem que milícias são segurança pública

Favela e milícia: No entendimento de F. Bolsonaro e seu ex-assessor Queiroz (reprodução Instagram), milícias oferecem segurança pública às comunidades

 

Favela dominada pela milícia, onde foram presos suspeitos do assassinato de Marielle foi citada como modelo por Flávio Bolsonaro.

A Operação Os Intocáveis prendeu ao menos cinco suspeitos de envolvimento no assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

O foco foi o Rio das Pedras, na Zona Oeste. Os presos são integrantes da milícia mais antiga e perigosa do estado. A ação mobilizou 140 policias para executar 13 mandados de preventiva expedidos pela Justiça.

Os milicianos, conta o Globo, exploram o ramo imobiliário ilegal na favela e dois dos detidos comandam o Escritório do Crime, braço armado da organização, especializado em execuções por encomenda.

Os principais clientes do grupo de matadores profissionais são contraventores e políticos. O major PM Ronald Paulo Alves Pereira, de 43 anos, foi em cana. É denunciado por comandar a grilagem de terra e a agiotagem.

Rio das Pedras é reduto eleitoral do vereador Marcello Siciliano, ligado por uma testemunha à morte de Marielle.

É também o local que serviu de refúgio para Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, antes de ele se internar no Einstein para tratar um câncer no intestino.

A defesa das milícias é uma agenda antiga dos Bolsonaros.

Os dois principais alvos, Pereira e o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, foram homenageados, em 2003 e 2004, por indicação do então deputado estadual Flávio Bolsonaro.

Em 2008, na Alerj, o então deputado Flávio discursou sobre a CPI das Milícias, levada adiante por Marcelo Freixo, e mencionou a favela como uma espécie de modelo.

“Sempre que ouço relatos de pessoas que residem nessas comunidades, supostamente dominadas por milicianos, não raro é constatada a felicidade dessas pessoas que antes tinham que se submeter à escravidão, a uma imposição hedionda por parte dos traficantes e que agora pelo menos dispõem dessa garantia, desse direito constitucional, que é a segurança pública”, afirmou.

“Façam consultas populares na Favela de Rio das Pedras, na própria Favela do Batan, para que haja esse contrapeso também, porque sabemos que vários são os interesses por trás da discussão das milícias, como falei.”


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Diário do Centro do Mundo

 
 

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