Misérias de um País à deriva
Carlos Roberto Winckler

Misérias de um País –A depender do que virá à tona nos próximos dias e se houver nova convocação de comissão do Senado e Câmara, certamente Moro não comparecerá. Sua atuação no depoimento, que durou dez horas na Comissão de Justiça no Senado, mostrou fragilidade, apesar da aparente tranquilidade. Sabe-se lá que tranquilizante tomou ou se o preparo anterior com empresa especializada nesse tipo de coisa teve eficácia.

As respostas às inquirições  mais sérias sobre as ilegalidades de toda ordem cometidas na Lava Jato resumiram-se, basicamente, a negativas de resposta por sentir-se ofendido; à falta de lembrança (como lembrar-se de falas  já passados três, quatro anos?); ao lançamento de suspeita de manipulação,  (por vezes admitia a verdade, mas as transcrições nada de sério mostravam). Fora os autoelogios, reforçados pela base do governo.


Para coroar o dia, Bolsonaro
reafirmou sua confiança
em Moro e que tudo
parecia ser coisa de meninas.

Certamente, o momento mais patético foi a defesa de sua atuação e da Lava Jato  realizada por Flávio Bolsonaro, desgraçadamente eleito senador da República. Alguém acusado de lavagem de dinheiro e de  envolvimento com milicianos suspeitos  de assassinatos e que  empregava familiares dos mesmos. Um quase foragido a arrastar em público sua sordidez e ignomínia. Esse foi o “tipo” que falou  em projeto vencedor   e na valorosa luta  contra a corrupção. O encontro inesquecível de um ministro da justiça hipócrita, provinciano e ambicioso com um acusado de crimes, por ora protegido.

Para coroar o dia, Bolsonaro  reafirmou sua confiança em Moro e que tudo parecia ser coisa de meninas. Restou para o governo somente essa miséria: retomar a guerra cultural fundada em preconceitos e em ameaças já denunciadas por Glenn Greenwald e pelo seu companheiro deputado David Miranda. Mas a tentativa de normalização virá: basta mais um esforço da Globo e suas filiadas.

Leia mais:

Leia também:


Professor de sociologia/
Pesquisador aponsetado pela FEE