O corredor e a quarentena
Carlos Roberto Winckler

Observação: contém ironia, escárnio e deboche (ou não).

Modesta contribuição fascista -– A Marcha Bolsonárica com participação de empresários da indústria e de alguns ministros ( Defesa, Casa Civil, Economia) ao STF teve como propósito solicitar a flexibilização das restrições impostas por estados e municípios, que estão a ceifar CNPJs ou a colocá-las entubadas em Unidades de Tratamento Intensivo.

Padecem de capacidade ociosa e perda de capacidade competitiva em futuro próximo. E nem poderia ser diferente. Onde estão os colaboradores, que insistem em adoecer e os consumidores acovardados? Ausência notada e anotada: representantes de bancos, sempre ardilosos e parasitas.

Escorregadios como se viu em texto
recente do presidente do Itaú.
Mal agradecidos. Já receberam o seu.
Arrotam filantropia.

Escorregadios como se viu em texto recente do presidente do Itaú. Mal agradecidos. Já receberam o seu. Arrotam filantropia. A solicitação foi reforçada pelo Primeiro Mandatário, temente a Deus, em declaração de que ” o efeito colateral do combate ao vírus não pode ser mais danoso do que a própria doença”.

De resto, se avizinha “um colapso da economia”. Um decreto estendendo o número de atividades essenciais estaria sendo preparado. Tudo muito moderado, evidenciando o alto espírito público dos envolvidos. Primeiro, as CNPJs e depois os CPFs, e esses com certos limites.

Até o momento, considerando-se os 210 milhões de brasileiros (um excesso), um pouco mais de 9.000 mortes é quase irrisório, também aqui há capacidade ociosa. Cuidados são necessários, mas nada de exageros. O Presidente do Supremo, para variar, repetiu a cantilena da OMS. Mas bem se sabe que sua coluna vertebral é flexível o suficiente no atendimento aos mais altos interesses da Nação.

Aguarde-se. Não se poderia esperar do Primeiro Mandatário senão um tom ameno, mas firme, resultado de exercício diário de encontros apaziguadores com jornalistas no cercadinho em frente ao Palácio do Planalto e com cidadãos comuns, sensíveis às palavras que jorram aos borbotões, reconfortantes, da boca do Presidente.

Suas palavras, verdadeiros bordões,
são repetidas entusiasticamente nas
carreatas e manifestações em
fins de semana em prol da brasilidade
amparada pelos pendões
estadunidense e israelita.

Suas palavras, verdadeiros bordões, são repetidas entusiasticamente nas carreatas e manifestações em fins de semana em prol da brasilidade amparada pelos pendões estadunidense e israelita. Aliança sagrada das armas e da espiritualidade, ainda que alguns torçam o nariz. A Marcha é mais um passo no sentido de estabelecer limites ao federalismo deletério, impeditivo à renovação da Pátria. Será reforçada por ato intensamente cívico nos próximos dias.

Cerco ao STF! Por centenas, senão milhares de Peregrinos, amados ou não. Ato que completa o movimento em cunha de neutralização dos inimigos, agora reforçados pela traição de Moro e pela estridência da Globo. Por enquanto Rodrigo Maia e o Congresso, ainda que apoiem o básico das medidas econômicas, têm reservas ao tom popular do Mito. Ingratos. Sem ousadia, esperam o que? Mas derivo nesses comentários. Deve ser efeito do confinamento.

Qual a contribuição ou contribuições
de curto ou médio prazo para
se evitar a morte das CNPJs,
entubadas a ofegar nas UTIs?

  • 1. Há um excesso de população. Discreta omissão ou boicote no repasse de recursos ao combate a pandemia será de valia, facilitando o sábio trabalho da natureza. Certa cautela: calibrar o uso da mão de obra, em que pese o crescente desemprego estrutural.

    Os sobreviventes terão que continuar baratos. E nem há como satisfazer a todos, os recursos são escassos. Em boa medida isso está em curso, mas bem que se pode assumir uma linguagem clara, explícita, que aterrorize parte da população e renove hierarquias raciais e sociais. Um retorno aos clássicos da eugenia brasileira será bem-vindo.
  • 2. Buscar inspiração nos campos de confinamento criados no Nordeste nas secas de 1915 e 1932. Público alvo: trabalhadores contaminados incapacitados para o trabalho útil, pobres idosos, doentes, deficientes. Menos gastos para o Estado, mais recursos para recuperação das empresas. Evitar a frase nos portões de campos nazistas: o trabalho liberta. Aqui cabe: o trabalho alegra!
  • 3. Recuperar a capacidade produtiva, manter o salário natural, tarefa facilitada com a liquidação de privilégios corporativos. Tarefa a completar.
  • 4. Restringir o mercado de consumo a 30 /40 milhões. Reconcentrar a renda.
  • 5. Garantir a paz social interna. Buscar inspiração nas experiências urbanas das missões no Haiti. Essas recomendações se restringem as cidades, onde vive mais de 85% da população e onde as empresas estão estabelecidas.

Declaro, no espirito de Swift, não possuir qualquer interesse pessoal nessas tarefas. Vejo nessas recomendações uma forma de abreviar o sofrimento dos Pobres e dar alguma alegria e paz aos Ricos.

Modesta contribuição fascista
para evitar penúria ou morte de CNPJs


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*Sociólogo, professor
aposentado pela FEE