Na tentativa de afastar Bolsonaro
Carlos Roberto Winckler

Na tentativa de afastar Bolsonaro, estratégias de todos os gostos

Com a aceleração dos acontecimentos, afastar Bolsonaro tornou-se uma questão premente, pois o abismo nos contempla. Diferentes alternativas, algumas mais drásticas, outras menos, foram colhidas ao sabor de navegação na rede. Vejamos.

1. As drásticas

Sniper, durante aquelas entrevistas, em frente ao Palácio, em que espalha perdigotos, o alveja mortalmente, de tal forma que mesmo nas vascas da morte não mais espalhe perdigotos viróticos. Essa cena tem um toque de filme B norte-americano.

Algum assessor, segurança, motorista desesperado ao descobrir que está contaminado o alveja, responsabilizando o presidente, mesmo porque 23 componentes da comitiva que viajou aos EUA parecem reforçar seu argumento, registrado em carta espalhada na rede, logo após cometer suicídio.

Ou de onde ninguém nada espera dada a desimportância: o garçom que serve cafezinho, em acesso de fúria, o estrangula e ninguém reage em estado de estupefação.

Veneno colocado na comida. Alternativa difícil, repararam que o primeiro mandatário não tem animais domésticos? Todas de difícil execução, além de fantasiosas e humanamente deploráveis. Concordam?

2. Impeachment

Alguns pedidos já deram entrada e repousam em alguma gaveta de Rodrigo Maia, o come-quieto mor da República, rechonchudo e comedido nas palavras, quase plácido. Talvez aguarde ocasião mais apropriada. Tudo dentro da tradição liberal-conservadora. Contra essa solução tem-se a urgência, a dramaticidade dos fatos.

3. Uma costura

A costura de um grande acordo nacional que envolva liberais conservadores aterrorizados com a criatura que cevaram: governadores, prefeitos, trânsfugas, empresários conscientes de que o barco soçobra de vez, a esquerda e militares, que se movimentam nos bastidores.

Stedile aventou a hipótese de conversa séria com militares. Sabe onde aperta o sapato. O sentido seria forçar a renúncia. A base de apoio a Bolsonaro tende a se estreitar com o desastre à vista. Resistirá? Mas sempre há o recurso de uma conversa persuasiva sobre Marielle. O recurso de vazamentos pode ser útil. Ninguém é anjo, menos ainda Witzel, promotores cariocas ou o comandante militar da intervenção à época do assassinato.

Resistirá? Fará chamamento às ruas de fanáticos que o apoiam? As tentativas de nossa lúmpen burguesia em romper o quarentena nos últimos dias, foram ultrajantes em sua sordidez. As medidas econômicas apresentadas pelo governo são débeis, absolutamente aquém das necessidades, quando são necessárias medidas estatais de economia de guerra. Esse é o momento, não outro.

O quanto durará a paciência? Ou o absolutamente inesperado abrirá caminho? Ou o caos de dimensões bíblicas em algumas semanas? É o que se pode depreender da leitura de posts, artigos e comentários das últimas semanas. Avaliem.

Na tentativa de afastar Bolsonaro, estratégias para todos os gostos


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*Sociólogo, professor
aposentado pela FEE