Não é só Moro
Não é só Moro: outros 18 nomes com histórico profissional ligado à Lava Jato estão no governo. Foto: Lula Marques Agência PT

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Vinicius Konchinski*
Colaboração para o UOL, em Curitiba
16/06/2019 04h00
Colaborou Leandro Prazeres, com informações da Agência Brasil

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem, pelo menos, 19 integrantes com histórico profissional ligado à Lava Jato. Além do ex-juiz federal Sergio Moro, hoje ministro da Justiça, outras 18 pessoas nomeadas para cargos de confiança no governo federal já trabalharam em repartições vinculadas à operação de combate à corrupção. Moro e outros integrantes da Lava Jato estão hoje envolvidos em uma crise deflagrada pela divulgação de conversas sobre a operação mantidas pelo então juiz quando ele ainda julgava ações propostas pela força-tarefa.

Dentre os integrantes do governo ligados à Lava Jato, há delegados da Polícia Federal (PF) e auditores da Receita Federal que já atuaram em investigações da operação. Há, também, servidores da Justiça Federal do Paraná que trabalharam juntamente com o ministro Moro. Há até uma ex-subprocuradora-geral da República, Maria Hilda Marsiaj Pinto, que pediu exoneração de seu cargo no MPF (Ministério Público Federal) para virar secretária nacional de Justiça.

Marsiaj Pinto fez parte da força-tarefa montada pelo MPF para a Lava Jato. De 2015 a 2018, ela atuou em recursos referentes a processos da operação que tramitaram no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Hoje, é subordinada a Moro no o Ministério da Justiça.

Os 18 nomes

Foi Sergio Moro quem trouxe para o governo os 18 profissionais ligados à Lava jato. O ministro nomeou todos para exercer cargos de confiança vinculados a sua pasta. No último dia 28, entretanto, o Congresso Nacional decidiu transferir o comando do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) do Ministério da Justiça para o Ministério da Economia. Com isso, três auditores da Receita que haviam sido nomeados por Moro estão subordinados ao ministro Paulo Guedes.

A lista dos profissionais ligados à Lava Jato hoje trabalhando no governo federal foi elaborada com base em dados disponibilizados pelo Ministério da Justiça.

Sergio Moro

Ministro da Justiça Foi juiz da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, onde tramitam processos da operação Lava Jato. Condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo caso do triplex do Guarujá (SP).

Flávia Blanco

Chefe de gabinete de Moro é analista judiciária da Justiça Federal do Paraná. Foi diretora da secretaria da 13ª Vara da Justiça Federal durante a operação Lava Jato.

Elias José Pudeulko

Assessor da chefe de gabinete É técnico judiciário da Justiça Federal do Paraná. Trabalhou na 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná com Moro

Andrezza Cristina Cardos de Oliveira Klug

Assessora da chefe de gabinete é analista judiciária da Justiça Federal do Paraná. Foi supervisora da seção de assessoria jurídica e assessora da direção do foro durante a Lava Jato.

Marcos Koren

Assessor especial do ministro é agente da PF e trabalhou na comunicação da superintendência do órgão em Curitiba durante a operação Lava Jato, incluindo durante a prisão de Lula.

Flávia Rutyna Heidemann

Assessora especial é analista judiciária da Justiça Federal do Paraná. Foi oficial do gabinete de Moro quando ele ainda julgava casos da Lava Jato no Paraná.

Maria Hilda Marsiaj Pinto

Secretária nacional de Justiça foi subprocuradora geral da República. Integrou a força-tarefa da Lava Jato de 2015 ao fim de 2018. Atuou em recursos que tramitaram no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Georgia Renata Sanchez Diogo

Assessora especial internacional do Ministério da Justiça foi assessora-chefe da Secretaria de Cooperação Internacional da PGR (Procuradoria-Geral da República). Trabalhou em acordos de cooperação internacional da Lava Jato.

Annalina Cavicchiolo Trigo

Diretora do Departamento de Promoção de Políticas de Justiça Trabalhou na AGU (Advocacia-Geral da União) e atuou em discussões sobre acordos de leniência fechados com empresas investigadas na Lava Jato.

Rosalvo Ferreira Franco

Chefe da Secretaria de Operações Policiais Integrada É delegado da PF aposentado. Era superintendente da PF no Paraná quando a Lava Jato foi deflagrada. Antes de assumir um cargo no Ministério da Justiça, Franco já havia integrado o governo de transição, em 2018.

Erika Mialik Marena

Diretora de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional É delegada da PF. Integrou a força-tarefa da Lava Jato e participou das primeiras fases da operação. Foi ela quem deu o nome Lava Jato à operação.

Eduardo Mauat da Silva

Coordenador-geral de articulação institucional do DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional) é delegado da PF. Integrou o grupo de trabalho da operação Lava Jato de 2014 a 2016.

Mauricio Leite Valeixo

Diretor-geral da PF é delegado da PF. Foi superintendente da PF no Paraná durante a Lava Jato. Chefiava o órgão quando Lula foi preso.

Igor de Paula Romário

Diretor de investigação e combate ao crime organizado da PF É delegado da PF. Coordenou o trabalho de investigações da Lava Jato em Curitiba, inclusive em inquéritos relacionados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Roberval Ré Vicalvi

Diretor de administração e logística policial da PF é delegado da PF. Foi o segundo da hierarquia da Superintendência da PF no Paraná durante a gestão de Valeixo.

Fabio Salvador

Diretor técnico-científico da PF é perito da PF. Foi chefe da equipe de perícia da Lava Jato.

Roberto Leonel de Oliveira Lima

Presidente do Coaf é auditor da Receita Federal. Foi chefe do Espei (Escritório de Pesquisa e Investigação) da Receita em Curitiba, que colaborou com a Lava Jato.

Ana Amélia Olczewski

Diretora de inteligência financeira do Coaf é auditora da Receita na Lava Jato. Foi chefe do Espei (Escritório de Pesquisa e Investigação) da Receita em Porto Alegre e enviou informações para investigações da Lava Jato.

Marcelo Renato Lingerfelt

Chefe de gabinete do Coaf É auditor da Receita. Foi chefe da divisão de pesquisa e, depois, coordenador de assuntos estratégicos da Coordenação-Geral de Pesquisa e Investigação da Receita durante a Lava Jato.


Erika Marena, quem é?

O nome de Marena nomeada parta a equipe de Moro, chama a atenção pelo envolvimento em um caso que ocorreu em setembro de 2017 e que terminou em tragédia. Preso e acusado de corrupção, o alvo da investigação Operação Ouvidos Moucos, Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier, tirou a própria vida. Nada contra ele foi encontrado. Após o caso, Erika foi transferida para Sergipe e de lá foi integrada à equipe de Moro no governo Bolsonaro.

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