Carlos Roberto Winckler - O esfarrapado e os rotos

Carlos Roberto Winckler

Alkmin que se cuide. Terá muita dificuldade em superar Bolsonaro. O fascismo se vale do preconceito comum. Apenas isso. Essa era a regra de ouro de Goebbels que não apreciava propaganda direta por ser inoperante. Apreciava o cinema de Hollywood. Bolsonaro deve ser avaliado não a partir de critérios da racionalidade argumentativa de bem educados em algum salão iluminista. O poço é mais profundo. Precisamos compreender melhor as características do fascismo colonial, presentes em setores médios e populares que se veem como perdedores ressentidos. Quanto à entrevista, quase nada perguntaram sobre o apoio de Bolsonaro às reformas e à política econômica em curso. Bolsonaro é a face mais autoritária desse processo. Não é à toa que é aplaudido, senão ovacionado, por empresários. Fascismo colonial de mercado, em síntese. Conversa de compadres amistosamente inimigos nas circunstâncias. Lógica do roto e esfarrapado.

 

O esfarrapado e os rotos

 

 

* Carlos Roberto Winckler é sociólogo
professor de Sociologia
pesquisador  aposentado da FEE