Que não se durma com um barulho destes
Que não se durma com um barulhos destes. Branca Sólio

Enquanto não conseguirmos entender que, na verdade, cada um de nós está prisioneiro naquela cela, não conquistraremos nossa efetiva liberdade

Lula teceu seu luto isolado da família. Não pode acompanhar o enterro do irmão com quem teve, sempre, uma ligação especial. Não desfrutou dos últimos momentos de vida de um dos netos, Arthur. Vê os filhos passarem necessidade, pelo isolamento a que estão condenados frente ao preconceito e, principalmente, porque seus bens, mesmo modestos, foram sequestrados.  Mais recentemente, a crueldade chegou ao ponto de transferirem sua namorada para Foz do Iguaçu, distante 600 km de Curitiba.

Essas maldades foram orquestradas por um grupo, representante dos que efetivamente detêm o poder e cujo objetivo exclusivo é mostrar aos trabalhadores quem manda e quem obedece.
Sérgio Moro chegou ao cúmulo de confiscar 26 bens do cofre do ex-presidente, ordenando sua devolução à presidêdncia.

Lula é massacrado, diuturnamente, porque encarnou a possibilidade de trabalhadores assumirem um novo lugar na escala social que, segundo os donos do poder, não pode ser alterada. Enquanto não conseguirmos entender que, na verdade, cada um de nós está prisioneiro naquela cela, não conquistraremos nossa efetiva liberdade. Não se trata de Lula. Trata-se, sim, de milhões de Lulas, acorrentados, escravizados, explorados, massacrados…

Muitos de nós não compreendemos quando ele disse que “não era mais ele, mas uma ideia”. Alguns tomaram a declaração por “soberba”. Na verdade, aquilo era, exatamente, o que pensavam os donos do poder. A eles interessava menos prender Lula do que prender, acorrentar, sufocar o que ele representa.

Enquanto Lula não sair daquela prisão, estaremos, todos, prisioneiros. E, veja, estaremos não significa seremos.


O papel da grande imprensa

É repugnante, ainda, constatar que a campanha midiática ocorrida em maio de 2017 objetivando atacar a memória de D. Marisa Letícia Lula da Silva tenha sido tramada pela Lava Jato

No que depende da grande imprensa, dois papéis estão definidos: Lula na prisão, sob pecha de ladrão, e a elite do poder, representada até recentemente pelo príncipe Moro, detentora da chave da cela que percorre manchetes na imprensa internacional, a denunciar o que o País não quis ver.

Capa dos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo

Em nota, a defesa de Lula manifesta algo sobre o que a nação inteira deve refletir

É estarrecedor constatar que o juiz da causa, após auxiliar os procuradores da Lava Jato a construir uma acusação artificial contra Lula, os tenha orientado a desconstruir a atuação da defesa técnica do ex-Presidente e a própria defesa pessoal por ele realizada durante seu interrogatório (10/05/2017). As novas mensagens reveladas ontem (14/06/2019) pelo “The Intercept”, para além de afastar qualquer dúvida de que o ex-juiz Sérgio Moro jamais teve um olhar imparcial em relação a Lula, mostram o patrocínio estatal de uma perseguição pessoal e profissional, respectivamente, ao ex-Presidente e aos advogados por ele constituídos.

É inimaginável dentro de um Estado de Direito que o Estado-juiz e o Estado-acusador se unam em um bloco monolítico para atacar o acusado e seus advogados com o objetivo de impor condenações a pessoa que sabem não ter praticado qualquer crime.

É repugnante, ainda, constatar que a campanha midiática ocorrida em maio de 2017 objetivando atacar a memória de D. Marisa Letícia Lula da Silva tenha sido tramada pela Lava Jato, como também revelam as mensagens do “The Intercept”.

Tais fatos, públicos e notórios, reforçam o que sempre defendemos nos processos e no comunicado encaminhado em julho de 2016 ao Comitê de Direitos Humanos da ONU: Lula é vítima de “lawfare” e o ataque aos seus advogados é uma das táticas utilizadas para essa prática nefasta.

Cristiano Zanin Martins e Valeska Teixeira Zanin Martins (15/06/2019)

Fazem eco à nota, as palavras do ex-ministro e ex-presidente do STF Ayres Britto, ao UOL. Ele critica o fato de magistrados “faltosos” serem alvo unicamente de processos administrativos conduzidos pelo CNJ, os quais têm como pena máxima a aposentadoria compulsória com salário proporcional ao tempo de serviço: Um seleto grupo de 48 magistrados, condenados pelo CNJ, cujos vencimentos chegam a R$ 16,4 milhões por ano. Enquanto isso, a nação é condenada a uma Reforma na Previdência, que deverá fadar à miséria, principalmente, os idosos.

R$ 400,00 mensais a um programa do guru Olavo de Carvalho teriam sido motivo da demissão

Decorridas três décadas do fim de uma ditadura militar que chegou a completar maioridade, o País vê-se às voltas com o retorno do exército ao poder, por meio de membros de seu mais alto escalão, conduzidos a posições estratégicas pelo presidente eleito.
A confusão é tamanha, porém, nas entranhas desse poder, os desmandos são de tal ordem, que testemunhamos episódios como os provocados pelos Generais Santos Cruz e Augusto Heleno, representantes do que pareceram, outrora, as coesas Forças Armadas.

O primeiro, teria recusado destinar R$ 400,00 mensais a um programa do Guru Olavo de Carvalho, enquanto o segundo bradava por prisão perpétua a Lula, após divulgação de matéria do jornal Intercept.

Que não se durma com um barulho destes.

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