Em encontro com o ministro da Educacão, a Une rejeita programa Future-se. Estudantes deixam reunião sem resposta e exigem mais investimentos em educacão pública no País.

Texto original: Juca Guimarães/Edição: João Paulo Soares

Fonte: Brasil de Fato | São Paulo (SP), 8 de Agosto de 2019

Une rejeita "Future-se" e no dia 13, terça-feira, estudantes de todo país voltam às ruas pela Educação pública de qualidade - Créditos: EBC
No dia 13, terça-feira, estudantes de todo país voltam às ruas pela Educação pública de qualidade / EBC

Segundo o jornal Brasil de Fato. A UNE vai buscar apoio na sociedade, no parlamento e na academia para apresentar ao Congresso projeto de lei que garanta investimentos em Educação para além do teto de gastos do governo e proíba contingenciamento de verbas das universidades públicas e institutos federais.

Future-se

A iniciativa foi anunciada após a reunião com o ministro da Educação , Abraham Weintraub, para debater o “Future-se”, programa de viés privatizante,  apontado como solução para problemas financeiros das universidades federais. O programa permanece em consulta pública até 15 de agosto.

As lideranças estudantis saíram do encontro, na noite de quarta-feira (7), sem respostas para a crise das instituições após a sequência de cortes promovidos por Weintraub e Jair Bolsonaro.

“O ministro não soube dar retorno sobre as dificuldades pelas quais as universidades passam nem sobre a problemática do Future-se. O ministro não soube responder às nossas preocupações sobre a autonomia universitária, sobre a quantidade de leis que mudariam com o projeto e ele não soube explicar em que estudos a proposta foi embasada. A gente sentiu que o ministro não tinha respostas objetivas”, disse Julia Aguiar, diretora da UNE.

A dirigente destacou que a gestão das universidades por meio de OSs, como prevê o Future-se, pode comprometer a qualidade do modelo de ensino e a produção científica.

“A autonomia universitária garante que a instituição tenha a possibilidade de produção de pesquisa de conhecimento crítico e, principalmente, que a comunidade acadêmica opine sobre os rumos da universidade. Colocar uma OS ou empresa para gerir isso pode colocar as universidades brasileiras a serviço de interesses que não necessariamente servem ao povo brasileiro”, disse Julia.

A UNE rejeita o programa “Future-se ” e pretende elaborar projeto alternativo ao Future-se, focado na Educação Superior e na pesquisa acadêmica. O projeto alternativo será elaborado em conjunto com a comunidade acadêmica, a Associação dos pós-graduandos, reitores e entidades estudantis.

Escolha política

Segundo os estudantes, o ministro passou boa parte das duas horas de reunião justificando a falta de investimentos na Educação e o contingenciamento.

“Nós apresentamos o problema dos cortes para o ministro. A resposta que ele deu foi que haveria um descontingenciamento, ainda este ano, mas que ele não iria se comprometer sobre isso. E que é fruto da falta de verbas por causa da crise. Nós retrucamos dizendo que era uma escolha política do governo de não destinar verbas para áreas sociais”, relatou Iago Montalvão, presidente da UNE.

Montalvão cita a liberação de bilhões de reais em emendas parlamentares para a aprovação da reforma da Previdência na Câmara.

“Há uma grande hipocrisia no discurso deles. Ontem [6/8] o governo destinou R$ 926 bilhões que estavam bloqueados para um projeto de lei que vai liberar emendas para os deputados que estão votando a reforma da Previdência. Este dinheiro deveria ser liberado para a Educação. Então, dos R$ 3 bilhões que vão para essas emendas, R$ 926 bilhões eram da Educação”, lembra.

No próximo dia 13, a UNE promove uma jornada nacional de luta em defesa da Educação, como nos dias 15 e 30 de maio. “Para que as nossas reivindicações sejam respeitadas, vamos ter que continuar fazendo pressão nas ruas”, disse Iago.

TV 247: https://youtu.be/EpFciln6dJQ?list=UURuy5PigeeBuecKnwqhM4yg

Sugestões

O secretário Executivo do MEC, Antônio Paulo Vogel de Medeiros, avaliou como positiva a reunião e disse ser importante que a entidade faça sugestões detalhadas para o projeto. Porém, a UNE já adiantou que não fará emendas, pois é contra a essência da proposta.

 Brasil de Fato questionou o MEC sobre o detalhamento da proposta de contratação de OS nas universidades públicas e seu impacto na autonomia das instituições, porém, a pasta não respondeu.

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