Witzel e Jair Bolsonaro, em março de 2019. Foto Marcos Correa, Wikimedia Common

Atualização: 17 setembro 2020: 22:00

Witzel diz acompanhar processo de impeachment
na Alerj “com respeito e tranquilidade”.

Witzel, em seu Twitter: “Recebo com respeito e tranquilidade a decisão da comissão da Alerj. Além da defesa por escrito, antes da votação em plenário farei a minha defesa presencial, demonstrando que não cometi crime de responsabilidade. Tenho confiança em um julgamento justo”.

Witzel - Twitter 17 de setembro
Witzel – twitter 17 de setembro

O governador alega, ainda, ter combatido o crime organizado e a corrupção, que tentou se instalaram em seu governo. “Eu determinei a investigação dos contratos da Saúde e afastei os suspeitos. O linchamento político do qual tenho sido vítima deixará marcas profundas no RJ”, destacou. E completa: : “Venho sendo acusado sem provas e sem direito à ampla defesa, inclusive no STJ. A minha luta é pela democracia, é para que um governador eleito pelo povo possa prosseguir e concluir o seu mandato”.

Passado recente

As declarações fazem lembrar 05 de maio de 2019 quando Witzel sobrevoou Angra dos Reis, de helicóptero, de onde snipers atiravam contra a população, a pretexto de combater criminosos. Vale rever vídeo que registra o episódio, bem como reler reportagem publicada pelo GGN, na época do episódio. A leitura da reportagem “Recorde de mortes por policiais e a queda de homicídios no Rio são fenômenos desconectados” também ajuda na reflexão sobre Witzel, seu estilo e o tratamento que vem recebendo o cidadão carioca.

Atualização

A comissão especial da Assembleia Legislativa do Rio que analisou o impeachment de Wilson Witzel (PSC) aprovou na tarde de quinta-feira, 17, parecer favorável ao afastamento. O mandatário já está afastado por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e enfrenta agora o processo político. O documento do relator Rodrigo Bacellar (SD) vai a plenário na semana que vem, provavelmente na quarta-feira, quando a Casa deve impor a Witzel nova derrota.

No parecer aprovado nesta quinta, 17 Bacellar fala em “descaso com a vida e oportunismo com a desgraça”, já que Witzel é acusado, entre outros desvios, de aproveitar a pandemia para praticar atos de corrupção. Nas 77 páginas, o relator destaca principalmente os momentos em que o governador afastado teria atuado para firmar contratos com as organizações sociais Unir Saúde e Iabas, acusadas de terem como sócio o empresário Mário Peixoto, pivô dos recentes escândalos de corrupção na Saúde.

Próximos passos

  • O resultado da votação de hoje será publicado no Diário Oficial nesta sexta-feira, 18
  • A partir da próxima segunda-feira, 21, começa a contar o prazo de 48 horas para o parecer ser inserido na pauta da Alerj
  • O documento deve ser votado na quarta-feira, 23, mas a votação pode levar mais de um dia
  • O texto elaborado na votação é publicado no Diário Oficial
  • Se o resultado for favorável ao afastamento do governador, o Tribunal de Justiça é convocado para formar um tribunal misto com cinco desembargadores e cinco deputados
  • Com o tribunal formado para analisar a cassação do mandato de Witzel, o governador fica afastado por até 180 dias (atualmente, ele já está fora do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça)

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